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Design de produto cultural em contextos de acesso e inclusão

Orquestra Sinfônica de Indaiatuba (OSI)

Este projeto lidou com um problema prático: a distância entre a música clássica e grande parte da cidade.

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A OSI mantinha uma produção artística consistente, mas o acesso estava concentrado em públicos já familiarizados com esse repertório. Barreiras simbólicas, linguagem implícita e códigos culturais restringiam a presença de novos públicos.

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A decisão foi tratar a cultura como produto contínuo, com público real, restrições claras e responsabilidade sobre como a orquestra se apresenta e se insere no cotidiano urbano.

Cartaz dos 10 anos da Orquestra Sinfônica de Indaiatuba aplicado em mobiliário urbano durante a noite.

O projeto

A Orquestra Sinfônica de Indaiatuba atua ao longo do ano com temporadas, concertos e ações educativas.

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O trabalho de design acompanhou essa operação de forma contínua, apoiando a criação e evolução de materiais e formatos de comunicação voltados a públicos com níveis muito distintos de familiaridade com música clássica.

 

O foco não esteve em identidade visual isolada, mas em organizar pontos de contato consistentes entre orquestra, cidade e público ao longo do tempo.

O desafio

O problema não era divulgação.

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A distância era cultural. Para muitas pessoas, a música clássica não parecia acessível ou endereçada a elas. Linguagem formal, códigos implícitos e ausência de mediação reforçavam a sensação de não pertencimento.

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Sem intervenção, a experiência seguia restrita a quem já tinha repertório. O risco era manter uma produção relevante, porém desconectada do contexto urbano mais amplo.

Decisão de abordagem

A primeira decisão foi abandonar uma comunicação única para todos.

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A orquestra dialogava com públicos distintos: frequentadores recorrentes, jovens, pessoas sem contato prévio com música erudita e públicos alcançados por ações educativas. Tratar todos da mesma forma reforçava exclusão.

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A comunicação passou a assumir que o público não tinha obrigação de entender códigos prévios. Linguagem visual foi aberta, narrativas se tornaram mais diretas e a presença da orquestra extrapolou o ambiente tradicional de concerto, ocupando espaços urbanos cotidianos.

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A música não foi simplificada. O atrito de entrada foi reduzido.

Design como estrutura cultural

O design foi tratado como trabalho contínuo, não como entrega pontual.

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Cada concerto passou a ter narrativa própria, conectada a uma identidade consistente e a pontos de contato antes, durante e após o evento. Comunicação, evento e relação com o público passaram a funcionar como partes de um mesmo sistema.

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Nada foi pensado de forma isolada. Cada peça precisava reforçar coerência e reconhecimento ao longo das temporadas.

Caso: OSI 10 anos

O concerto de 10 anos exigiu uma decisão delicada.

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Era necessário celebrar a trajetória da orquestra sem criar uma comunicação voltada apenas para quem já a acompanhava. O risco era produzir um evento autorreferente.

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A estratégia foi posicionar o concerto como evento cultural da cidade. A linguagem visual e narrativa buscou reduzir distância, tornar o repertório legível para novos públicos e manter integridade artística.

Cartaz comemorativo dos 10 anos da Orquestra Sinfônica de Indaiatuba, anunciando o concerto “Sinfonia nº 9 de Beethoven”, com ilustração floral colorida e informações do evento.

Resultados observados

A relação entre a orquestra e a cidade mudou de forma perceptível.

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Houve ampliação de público, maior adesão aos concertos e fortalecimento da presença da OSI no contexto urbano. Em ações específicas, ingressos se esgotaram rapidamente, indicando mobilização de públicos além do núcleo tradicional.

 

Mais relevante que números pontuais foi a continuidade do vínculo criado entre instituição e cidade.

Jornada com a OSI

A parceria com a OSI se estendeu por cerca de 10 anos.

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Nesse período, o design garantiu consistência de linguagem e identidade, sem impedir adaptação a mudanças culturais e sociais. O trabalho evitou reinvenções constantes e priorizou coerência acumulada ao longo do tempo.

 

Escalar, nesse contexto, significou sustentar reconhecimento e relação, não apenas ampliar visibilidade.

Papel do design

O design assumiu responsabilidade direta sobre como a orquestra se relacionava com a cidade.

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O trabalho organizou a experiência cultural para torná-la acessível sem descaracterizar o conteúdo artístico. A música foi mediada por escolhas claras de linguagem, narrativa e presença urbana.

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Quando funcionava, o design não chamava atenção para si. Apenas permitia que mais pessoas se aproximassem.

Encerramento

Este projeto mostra que design de produto também opera fora do software.

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Ao tratar cultura como produto contínuo, decisões sobre linguagem, acesso e presença deixaram de ser intuitivas e passaram a ser estruturais. O resultado foi uma relação mais consistente entre arte, cidade e público ao longo do tempo.

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