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Design orientado à decisão em sistemas de gestão de pessoas

EasyPeople

Decisões sobre pessoas têm consequência direta em carreira, confiança e retenção. O problema não estava em exibir dados, mas em definir como esses dados seriam usados para decidir.

Este projeto tratou o design como parte do mecanismo decisório de uma plataforma de gestão para PMEs, responsável por reduzir leituras precipitadas e orientar decisões com base em informação comparável e contextualizada.

Dashboard do sistema EasyPeople com visão consolidada de indicadores de pessoas, incluindo gráficos, métricas e análises de desempenho.

O projeto

A EasyPeople é uma plataforma de gestão voltada a pequenas e médias empresas, usada por gestores e times de RH para acompanhar desempenho e evolução ao longo do tempo.

Atuei como Product Designer responsável por decisões de produto, definição de métricas, organização da informação e desenho da interface. O trabalho exigiu alinhar leitura de dados com consequências reais das decisões tomadas a partir do sistema.

A interface não foi tratada como visualização neutra. Cada escolha influenciava como gestores interpretavam pessoas.

O desafio

Métricas não são neutras.

Quando apresentadas sem contexto, geram decisões rápidas, comparações injustas e perda de confiança de quem é avaliado. O risco era transformar indicadores em sentenças, não em apoio à decisão.

O produto precisava ajudar gestores a decidir melhor, mesmo sob pressão, sem reduzir indivíduos a números isolados.

Leitura de contexto

Antes de qualquer solução, foi necessário entender como decisões sobre pessoas aconteciam na prática.

Foram analisados:

  • como PMEs usam dados no dia a dia

  • quais indicadores realmente influenciam ações

  • onde ferramentas existentes induzem leituras equivocadas
     

O foco esteve menos no fluxo de uso e mais no momento da decisão: quando o gestor consulta dados, o que precisa estar explícito e o que pode distorcer a leitura.

Isso evitou repetir padrões comuns de produtos de RH que acumulam métricas sem critério.

Decisões de produto

A principal decisão foi reduzir o número de indicadores exibidos e definir pesos claros entre eles.

Cada métrica foi avaliada por:

  • consistência técnica

  • risco de leitura isolada

  • relevância real para decisões recorrentes
     

A hierarquia da informação foi ajustada para forçar leitura comparativa e desencorajar conclusões imediatas. Dados passaram a ser apresentados com referências temporais e relacionais, não como valores absolutos.

A interface deixou de incentivar controle e passou a sustentar análise.

Painel com post-its organizando ideias e funcionalidades durante a fase de discovery do projeto.

Priorização e prototipação

A arquitetura do dashboard foi definida antes de qualquer refinamento visual.

Wireframes de baixa fidelidade validaram hierarquia, agrupamento e sequência de leitura. O critério era simples: um gestor conseguiria explicar sua decisão a partir do que via na tela.

O protótipo final consolidou essas escolhas, priorizando legibilidade e previsibilidade, inclusive em cenários de uso sob pressão.

Wireframes em baixa fidelidade desenhados à mão, utilizados para mapear necessidades e estruturar as primeiras ideias do produto.

Papel do design

O design atuou como mediador entre dado e decisão.

Isso incluiu:

  • tornar comparações explícitas

  • reduzir ruído cognitivo

  • impedir que métricas isoladas conduzissem ações precipitadas
     

O produto deixou de operar como painel informativo e passou a funcionar como apoio concreto à tomada de decisão.

Resultados observados

Métricas públicas não são divulgadas.

Ainda assim, mudanças de uso ficaram evidentes. Gestores passaram a consultar mais de um indicador antes de agir e a justificar decisões com base em leitura comparativa, não em números únicos.

A confiança no sistema aumentou à medida que as decisões se tornaram mais defensáveis.

Versão mobile do dashboard do projeto, exibindo indicadores de desempenho e métricas de gestão em um smartphone.

Aprendizados

  • Dados sem enquadramento induzem erro.

  • Exibir uma métrica é uma decisão de produto, não um ato neutro.

  • Definir peso e contexto é tão relevante quanto desenhar a interface.

 

Este projeto reforçou que design de produto, em RH, assume responsabilidade direta sobre as decisões que ajuda a produzir.

Encerramento

Projetar sistemas de gestão de pessoas exige assumir consequência.

Neste projeto, o design deixou de ser apresentação de dados e passou a ser parte ativa do processo decisório. Em contextos humanos, medir bem não basta. É preciso decidir com critério.

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