Rebrandign de produto digital em um ecossistema regulado
Certisign
A Certisign opera em um ambiente regulado, onde erro gera custo operacional, exposição jurídica e perda de confiança. Seus produtos lidam com certificação digital e validação legal, temas técnicos e pouco familiares para grande parte dos usuários.
Quando a interface não deixa claro o que está acontecendo, o problema não é estético. Ele aparece em dúvidas recorrentes, aumento de chamados, retrabalho interno e risco regulatório. Este projeto partiu do ponto de alinhar marca e produto para que a experiência digital refletisse, de forma objetiva, a responsabilidade que o serviço já carregava na operação.

O projeto
O ponto de partida foi um desalinhamento entre o discurso institucional e o funcionamento real do produto. A marca prometia segurança e precisão, mas a interface deixava regras importantes implícitas.
Em um serviço regulado, isso não é aceitável. O usuário precisa entender o que é obrigatório, o que é escolha e quais são as consequências de cada ação.
O rebranding foi tratado como uma decisão de produto. Exigiu revisar linguagem, fluxos e estrutura para tornar explícitas regras que já existiam no sistema, mas não estavam claras na experiência.
O desafio real
O desafio não era reduzir a complexidade do produto, e sim torná-la legível sem distorcer regras legais.
A interface não deixava claro onde havia margem de decisão e onde não havia. Essa ambiguidade atrasava ações, aumentava erros e enfraquecia a confiança no sistema.
O rebranding precisou atuar nesse ponto específico: tornar explícita a lógica do produto para que decisões fossem tomadas com menos erro e mais previsibilidade.

O rebranding como decisão de produto
Em produtos regulados, marca não serve para persuadir. Serve para orientar e limitar interpretação.
A nova expressão da Certisign precisou comunicar responsabilidade desde o primeiro contato. Isso exigiu ajustes diretos em linguagem, hierarquia de informação e tom. A interface passou a assumir o papel de explicar o sistema, não de suavizá-lo.
O critério era simples: o produto precisava funcionar de forma previsível, inclusive quando algo dava errado ou quando o usuário tinha dúvida.
Decisões estratégicas
A decisão central foi usar o design para tornar explícitas regras já existentes no produto.
Isso levou a escolhas claras:
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Priorizar clareza mesmo quando isso reduzia liberdade visual
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Usar hierarquia de informação para guiar decisões críticas
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Ajustar linguagem visual e textual ao contexto jurídico
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Garantir coerência entre marca, interface e funcionamento do sistema
Essas decisões mudaram o papel da interface. Ela passou a apoiar decisões, não apenas a organizar conteúdo.

Evolução do produto
Algumas frentes precisaram ser tratadas como prioritárias por afetarem diretamente o uso do sistema.
Comunicação
Termos ambíguos foram removidos. Regras antes implícitas passaram a ser declaradas. A linguagem foi ajustada para reduzir interpretação equivocada sem comprometer precisão legal.
Hierarquia da informação
Informações sensíveis ganharam destaque. Etapas irreversíveis passaram a ser sinalizadas de forma clara, reduzindo erro por descuido ou má leitura.
Coerência entre canais
Marca institucional, produto e comunicações externas passaram a transmitir as mesmas regras. O que era dito fora do sistema precisava se confirmar dentro dele.
As escolhas visuais e estruturais foram feitas pensando em continuidade. A base precisava sustentar evolução futura sem reintroduzir ambiguidade.
Trade-offs assumidos
Algumas decisões exigiram abrir mão de soluções visualmente mais expressivas.
Metáforas e abstrações foram evitadas sempre que geravam interpretação dupla. Em vários pontos, a opção mais segura foi também a menos sofisticada visualmente.
O design precisou se adaptar às restrições técnicas e regulatórias existentes. O sistema não foi redesenhado para acomodar a interface.
Processo
O projeto lidou com risco desde o início. Decisões de interface tinham impacto direto em operação e conformidade.
O trabalho começou com uma análise crítica das jornadas existentes, focando especialmente em etapas irreversíveis. O avanço exigiu colaboração constante com produto, tecnologia e marketing para garantir alinhamento entre sistema, interface e discurso institucional.
As validações foram qualitativas e focadas em compreensão. O critério era objetivo: o usuário entendia o que estava sendo solicitado e o que aconteceria depois.
Papel do design
Neste projeto, o design assumiu responsabilidade operacional.
Informações críticas que antes ficavam implícitas passaram a ser visíveis. A interface passou a diferenciar claramente decisões simples de compromissos com implicações legais.
Sempre que algo não estava claro para o usuário, isso foi tratado como risco. Não como detalhe visual.
A solução
A solução integrou marca e produto como uma única estrutura.
A interface foi redesenhada para explicitar decisões. Informações críticas ganharam hierarquia clara, especialmente em pontos sensíveis. A linguagem visual e estrutural foi pensada para sustentar uso contínuo e evolução do sistema sem ruído.

Resultados e impacto
Os indicadores quantitativos são sensíveis e não podem ser divulgados.
Mesmo assim, alguns efeitos foram claros. A comunicação do produto passou a reduzir dúvidas recorrentes. Houve maior alinhamento entre o que a marca comunicava e o que o usuário encontrava no sistema.
Isso criou uma base mais previsível para uso e evolução do produto.
Aprendizados
Em produtos regulados, confiança não se constrói em um ponto isolado. Ela depende do comportamento consistente do sistema ao longo do tempo.
O rebranding só passou a gerar resultado quando foi tratado como parte do produto. Quando ficou restrito à marca, criou expectativa que a interface não sustentava.
Clareza deixou de ser uma escolha de UX e passou a ser uma decisão de negócio.
Encerramento
Este projeto reforçou que, em ambientes regulados, design não é camada final.
Ao alinhar marca, interface e funcionamento do sistema, o design passou a atuar diretamente na forma como decisões são tomadas em um ecossistema de alta responsabilidade.
Mais do que um rebranding, este trabalho exigiu que o design assumisse posição na estratégia de produto, lidando com risco, clareza e previsibilidade como partes do sistema.






